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Pesca&Dicas

Pescando com Fly


                               


Por quê fly? Essa pergunta ronda as cabeças de todos os pescadores esportivos do Brasil. Antes de tudo, porque já viram algo resvalar de leve no assunto, ao folhear uma determinada publicação, ou se entreter com uma tomada rápida de um programa de televisão, como quem pega o "bonde andando". Normalmente, é bastante para despertar o interesse, mas não para satisfazer uma das características tão próprias da natureza humana: a curiosidade.
Sem dúvida, eis o que nos coloca, apenas até não raras as vezes, em mero exercício do que se convém chamar de imitação.  Qualquer que seja a razão, a modalidade tem conquistado um número expressivo de praticantes, dentre eles vários "dissidentes" de modalidades como o bait-casting e o spinning. É a nova maneira de deixar para trás os obstáculos da vida moderna e nos aproximar mais da natureza.
Para os futuros "dissidentes"e pescadores com qualquer outro tipo de perfil, que conhecerão de perto o fator curiosidade, esta é a oportunidade de se iniciar, recebendo as informações necessárias.
O objetivo é criar novos praticantes, mais conscientes do que atingirão em termos de lazer e desafios com o uso do fly.
Apesar da intenção de não ser excessivamente técnico, há palavras e jargões que já foram incorporados ao vocabulário do universo de "flaizeiros" - bastante influenciado pela língua inglesa que dá origem à nomenclatura de equipamentos e métodos mais usuais. O propósito é que não muda: planeja-se enganar o peixe com a isca e em seguida derrotá-lo com astúcia, através dos artifícios oferecidos pelo equipamento. Simples, não é? 
Entremos em detalhes sobre o equipamento, a começar por algumas considerações inerentes ao termo mais empregado por adeptos desta modalidade. A palavra fly, traduzida como mosca, origina-se do tipo de isca que imita pequenos insetos - tanto por seu tamanho, como pela sutileza e atratividade que representa para a maioria dos peixes.
Vale dizer, contudo, que não se  pesca apenas com iscas imitando insetos. Também são utilizadas imitações de pequenos ratos, borboletas, caranguejos e camarões. Todas terão de ser obrigatoriamente, leves como uma mosca, mas não necessariamente "voadoras".

Se a isca não tem como característica principal a leveza, não há meio de efetuar o arremesso. Certas iscas podem até conter algum peso ou lastro do tipo que imita olhos de chumbo, ou ainda arames ou fios de solda para levá-las a atingir profundidades preferidas pelos peixes. Mais adiante, outras características de iscas tornarão a servir de tema central.
Há que se buscar o equilíbrio perfeito, o balanceamento mais adequado ao conjunto vara e linha.
As varas são fabricadas conforme especificacões de resistências e flexibilidade, tamanho, bitolas e qualidade de material apropriada a um tipo de linha com característica compatíveis com o seu propósito.
Para varas de fly não existem opções variadas de linhas, ao contrário do que ocorre em relação às de arremesso por molinete ou carretilha. As varas de fly são classificadas por numeração, que vai de 2 (a mais leve) até 13 (a mais pesada).


Formiga e
gafanhotos são iscas
"terrestes", para trabalho
na superfície com linhas floating.
O objetivo é capturar trutas, piraputangas e tabaranas.

É recomendável, portanto, que o iniciante observe estas especificações e utilize a linha de peso 2 para vara 2 ou linha 7 para vara 7. O peso da linha tem que ser proporcional à vara, já que esta é que impulsiona a linha para frente. Se não é respeitada esta proporcionalidade, o resultado é dos mais frustrantes.
No seu próprio corpo, a linha de fly tem uma variação de diâmetro que causa diferenças de peso. É assim que substitui o papel desempenhado pelo chumbo, em equipamento utilizado para outras modalidades. A linha, por si só, já é pesada o suficiente, daí a obrigatoriedade da  leveza das iscas. O que arremessamos é a linha não o plug ou a chumbada.
A linha de fly não se presta para figurar perto da isca, pois é muito grossa e colorida, o que força o pescador a atar mais alguns metros de outros tipos de filamentos, em busca de uma apresentação mais natural e delicada.
No caso do interesse pela pesca de trutas, seria impossível atar um pequeno inseto ou fazê-lo quase que pousar sobre a água (condição obrigatória na pesca com iscas tipo "seca", imitando mosquitos, borboletas ou formigas) sem este artifício.
Se a intenção é capturar tucunarés, já é necessário atar algo em torno de 1m50 de linha de monofilamento, na cor mais semelhante à da água e com bitola mínima de 0,60 mm. O mesmo para os dourados, só que ainda são adicionados 20 cm de material de aço flexível, de encastoamento para fazer face ao poder de suas mandíbulas. O mesmo também vale para as enchovas. A naturalidade da apresentação - momento em que a isca toca a água - varia de acordo com os hábitos do peixe. Via de regra, no entanto, essa apresentação se torna mais delicada, à medida que a bitola da linha vai diminuindo até chegar a ter contato com a  isca. Esta é a razão de se recorrer a segmentos de 40 a 90 cm (no caso da pesca de trutas nos Estados Unidos, esse líder pode atingir 2m50 de comprimento), atados com bitolas decrescendo até terminar na mais fina possível.
Antes de retornar às características do melhor arremesso, vale dispensar uma boa dose de atenção à escolha da carretilha. Sua função primordial é guardar a linha na maioria das situações. Entretanto, nem por isso deve haver menosprezo. É importante adquirir o melhor produto que existe no mercado, visando tirar proveito de uma vida útil mais longa.



                                                                                                                                  Diversas variações de
                                                                     ninfas apropriadas à
                                                                     pesca de trutas. São
                                                                     iscas molhadas, ideais
                                                                     para serem utilizadas
                                                                     com linhas "sinking tip"

Na pesca com fly, o trabalho de recolhimento é feito com uma única mão, puxando ora mais lentamente, ora em movimentos mais rápidos. Ao cumprir essa tarefa, a linha recolhida fica próxima aos nossos pés, ou na própria água, ou ainda em uma pequena bacia presa à cintura. O cuidado necessário é para que não haja danos à linha, que é relativamente delicada.
Uma vez fisgado o peixe, trava-se a linha na maioria das situações, usando o dedo indicador da mão que controla a vara. Enquanto isso, é feito o recolhimento com a outra mão.
Dependendo do porte do peixe fisgado, ele toma o excesso de linha que temos fora da carretilha e a batalha pode ser bem duradoura. Algumas possuem certo tipo de fricção, por meio de disco de freio. Peças como essa vão adquirir valor acima do esperado, quando da realização de pescarias mais "pesadas"- de grandes enchovas, de dourados do mar, tarpons e peixes de bico -, já que requerem fricção destinada a suportar os trancos mais violentos, além de possuir uma quantidade maior  de backing (acima de 250 metros).
Durante a batalha, é comum um tarpom levar de 300 a 400 metros de backink. Imagine como deve ser cansativo recolher tudo de volta, na razão de um por um, visto que as carretilhas de fly não são multiplicadas.



Imitações de caranguejos, úteis na
pesca dos robalos de mague.
Em função de seu volume avantajado,
estas iscas requerem material
de peso 8 ou 9 no mínimo.


As linhas de fly mais comuns têm cerca de 35 pés de comprimento, o que é o ideal para a maioria das situações. Entretanto, sempre será utilizado um tipo a mais de linha (o que chamamos de backing) atada às demais. Uma espécie de linha de retaguarda, que tem como primordial a função de encher o carretel e evitar o acondicionamento de uma quantidade muito reduzida de linha de fly. Na hipótese de ocorrer exatamente isso, se produzirá uma "memorização"em caracol, improdutiva no momento de trabalhar a isca.
Os backings poder ser obtidos de diversos materiais: a preferência tem recaído sobre o que é feito de dracon, comercializado nas cores verde limão e branco, com resistências que variam de 20 a 30 lb. A vantagem apresentada por materiais novos, de multifilamento, é o  seu reduzido diâmetro. O problema é o altíssimo teor de abrasividade, assim como o risco que existe para os dedos no manuseio, em situações de arrancadas desenfreadas dos peixes maiores.


                                                                            Diversos tipos de
imitações de camarões, indicadas
para a pesca de
robalos,salteiras e
                                                                             até badejos de areia

 

A principal característica do fly está no arremesso. Então, a técnica se confunde com a arte, sendo as iscas, por sua beleza, o que mais atrai no conjunto. E além da questão de estética, que também está presente no balê da linha no ar, há ainda o talento exigido quando da sua confecção.
E bom momento para fornecer uma dica importante, bastante útil à aprendizagem do modo como trabalhar fly: pegue uma pequena vara de bambu para pesca de lambaris, de no máximo 2 metros de comprimento, e junte uma fita colorida de 2m50 a 3 metros à sua ponta. Procure treinar, ou aliás imitar o manejo de um chicote  com habilidade mas sem estalar. Comece impulsionando a fita para a frente, com o cuidado de evitar atingir a si mesmo. Pouco a pouco, se começa a ganhar sutileza nos movimentos.
Tente manusear a varinha sem incliná-la além de "1 hora" na  retaguarda (em fase de aprendizagem, o relógio é o referencial para quase todos os iniciantes), nem levá-la à frente, além da inclinação correspondente a "11 horas". Pratique esse exercício repetidamente, até que adquira a desenvoltura necessária e perceba suavidade no comportamento da fita.


Streamers são imitações de pequenos
peixes que, trabalhados em situações e
locais adequados, são bastante atrativos à
uma gama variada de espécies predadoras

 

Esta não é a fase de deixá-la pousar em determinado local, tudo acontece no ar. Se ainda houver dificuldade, encurte o comprimento da fita e torne a alongá-la depois de satisfeito com a habilidade no manuseio.
Procure também manter o punho fixo, sem mudar de posição. Uma vez obtido conforto com esse procedimento, se poderá passar à próxima etapa, já com algum tipo de alvo à frente.
Os padrões perseguidos, quanto a domínio e coordenação de movimentos, exigirão um dose de concentração muito maior. Antes da fita atingir o objetivo final, o punho é agora dobrado, baixando a varinha da posição "11 horas" para a de "9 horas", de modo a suavizar aquele último estirão de fita.
É aconselhável que o seu primeiro conjunto de fly também seja montado na loja onde você o comprou. Nunca inicie uma pescaria na modalidade de fly, sem ter os olhos protegidos por óculos ou com pessoas, principalmente crianças, dentro do raio de ação do equipamento. É importante ainda retirar as farpas dos anzóis, amassando-as com alicate. Esquecer de atar uma isca à extremidade é outro inconveniente a ser evitado. Caso sequer tenha levado uma para sua pescaria, amarre um pedaço de pão ou qualquer coisa leve, que produza resitência aerodinâmica.


                             Poppers e jigs para robalos,  tucunarés e
                                              black bass, às vezes
                                              também usados, excepcionalmente,
                                              para a pesca de
                                              dourados e enchovas

A inobservância dessa regra tende a provocar nós na ponta da linha ou no líder, além de aumentar o risco de comprometimento mais sério, ou seja, uma trincadura na linha de fly. Lembre-se que aquele "estalo de chicote" corresponde a uma falha de procedimento.
O novo adepto da modalidade saberá quando reúne as melhores condições de arremessar, ao notar que o faz suavemente, mediante técnica que não produz cansaço ou qualquer dor muscular. Se tiver humildade, tanto melhor. Conhecer as próprias limitações auxilia sobremaneira. Assim, o iniciante estará evitando frustações e corrigindo erros dos mais significativos até os menores, e impedindo que se convertam em vícios dos quais os pescador não se livra mais.
Nos primeiros dias de atividade com equipamento de fly, convém ser cauteloso. Contente-se em manusear e arremessar não mais que 4 ou 5 metros de linha. Com as sucessivas pescarias, você conseguirá atuar se sentindo mais seguro, com maiores quantidades de linhas.
Outra escolha que tende a ser a mais indicada se aplica novamente ao seu equipamento: a experiência mostra que não se deve ir além da categoria peso 7, pois a necessidade de precisão técnica aumenta consideravelmente, à medida que se eleva do mesmo modo o peso do material escolhido.
Depois do arremesso, o papel exercido pelas iscas corresponde ao principal atrativo nesta técnica. Talvez pela arte envolvida na sua confecção e os efeitos visuais obtidos via combinação de elementos naturais e sintéticos, de forma a imitar certos componentes da cadeia alimentar dos peixes. Sem dúvida, despertam grande interesse e curiosidade.
A mais simples imita um ovo de salmão - uma pequena bolinha de material sintético, presa ao anzol -, ideal para atrair trutas.



Grandes streamers
adequados à captura
de dourados e
tucunarés

 

As mais complexas incluem imitações de grilos, camarões e caranguejos, a partir de processos em constante evolução, abrangendo a utilização de resinas, colas, produtos naturais e sintéticos.
Não existe usuário de iscas artificiais que não imprima sua marca pessoal no preparo de uma isca, de modo que se torne mais apetitosa. Nesse caso, o fly não é obstáculo à criatividade de cada um.
As iscas de superfície podem ter uma composição "seca" - não de molhar como os mosquitos e borboletas que apenas  "pousam" sobre a água e são irresistíveis a lambaris, trutas e outras espécies. As "molhadas de superfície" devem imitar alimentos aquáticos, como pequenos peixes ou rãs. Eis a finalidade para que foram concebidos os chamados "poppers".
Por sua vez, as de meia água "streamers", podem imitar pequenos peixes, ou até larvas de inseto. Qualquer que seja o tipo de isca adequado para esta técnica, necessariamente terá que ser leve, afim de não prejudicar certas características inerentes ao tipo de arremesso que é feito.
Só depois de haver definição da isca, bem como sobre a espécie de peixe a ser perseguida e as condições das estruturas, é que se tem idéia do tipo de linha e do peso a ser utilizado. De modo geral, quanto maior a isca, maior o seu peso ou maior arrasto aerodinâmico (resistência ao ar). Portanto, há necessidade de linha de categoria e peso maiores, afim de possibilitar o sucesso do arremesso.


                                                                            Streamers utilizados 
                                                                            na pesca de
                                                                            robalos e tucunarés

 

 

É muito difícil arremessar um "bug" para black bass, com linhas inferiores o peso seis. Existem linhas com características específicas para determinado tipo de isca (como as "bug taperes") e formato especial para arremessos por "bichos cabeludos" de superfície, ao apresentarem volumes relativamente avantajados.
Ainda há linhas com peso específico maior, ocasionando seu afundamento com objetivo de oferecer a isca para peixes que habitam locais mais profundos. O ideal é dispor de material completo (linhas e carretilhas com carretéis extras, inclusive) para todo tipo de situação - algo improvável para a maioria. De início, é recomendável uma vara não mais pesada que a categoria 7, com linha 7FWF. Seguindo essa tendência mais cautelosa, costuma-se sugerir sessões de treinamento em pesque-pagues ao menos enquanto não decide procurar os rios que guardam grandes piraputangas.


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