Pesca&Dicas
CANDIRU |
Vestido para matar, o Candiru não dá trégua para quem aparece na sua frente. Podem ser suas vítimas: diversos peixes e mamíferos. Banhistas e pescadores distraídos cuidado: o Candiru tem o hábito de se alimentar de sangue.... Nadar nas águas dos rios amazônicos e nas de certos pontos do rio Paraná sem proteção adequada é algo que pode pôr a saúde – e até a vida – em risco. Ali, as piranhas não são os únicos peixes que povoam os pesadelos dos ribeirinhos. Uma família de pequeninos bagres, conhecidos popularmente por Candirus, também freqüenta as histórias de terror ao redor das fogueiras. Algumas espécies são hematófagas, outras se alimentam de tecidos, escamas e crustáceos. Nem todos os candirus são perigosos para o homem, mas é bom saber que alguns tipos realmente oferecem risco àqueles que desconhecem sua fama. Os Candirus-açus são carnívoros inveterados, têm tamanho entre 15 e 30 cm e só oferecem ameaça a animais que tenham algum ferimento com sangue ou que apresentem comportamento estranho, despertando seu apetite. Apetite, aliás, que rivaliza com o das Piranhas mais vorazes, como a Caju. O ataque de um cardume é fulminante, podendo acabar com a presa em poucos minutos. Se você fisgar um Candiru desses por engano, também precisa tomar cuidado: ao ser manuseado, o peixe secreta um muco, que mais parece um catarro. Para os mais apressados em livrar-se dessa substância repugnante, lavar a mão na água não é recomendável. Imediatamente após colocar a mão na água, o muco se transforma uma espécie de geléia transparente, semelhante à clara de ovo. E quanto mais água se passa, mais gosma se forma. Se o pescador tiver estômago de suportar tanta nojeira, o remédio é cuspir na mão para anular o efeito multiplicador da gosma. É tiro e queda. Recomenda-se cuspir antes de lavar as mãos. O TERROR DAS ÁGUAS Os candirus hematófagos
formam um grupo restrito dentro da família Trichomycteridae e são
denominados como Candirus-Verdadeiros. Junto com algumas espécies de
morcegos, são os únicos vertebrados a se alimentarem exclusivamente de
sangue. Os cientistas ainda não conhecem muito bem o ciclo reprodutivo e o
comportamento de indivíduos mais jovens porque as espécies são pouco
estudadas. “Este grupo, os vandellinae, alimenta-se exclusivamente do sangue que é sugado das brânquias dos peixes. O local preferido para a mordida é a artéria branquial, onde o sangue é rico em nutrientes e oxigênio. Acredita-se que os Candirus são guiados para esses locais através da secreção de amônia das brânquias em pequenas quantidades”, esclarece o professor Mário de Pinna, do Instituto de Biociência da U.S.P.- Universidade de São Paulo, um dos poucos especialistas do mundo neste grupo de peixes tão estranhos. ATACANDO OS MAMÍFEROS Como são peixes que vivem cercados por dúvidas e mitos, histórias de ataques a mamíferos causam preocupações, principalmente quando a vítima é um ser humano. A periculosidade do Candiru justifica-se pelo fato de penetrarem na uretra de homens e mulheres. Podem entrar no corpo através de outros orifícios, como ânus, vagina, ouvido, boca e nariz, mas todas as vezes que se teve notícia de que Candirus penetraram pessoas, a via de entrada sempre foi a uretra. “Isto se justifica porque se sentem atraídos pela urina, ocorrendo o mesmo quando atacam os demais peixes”, explica Pinna. Ao urinar na água, a pessoa está dando sinal verde para que o Candiru ataque, pois se sente atraído pela uréia ou amônia. Segundo o especialista, se houver alguma tentativa para retirá-lo da uretra, o Candiru abre os dois dentes (semelhantes a espinhos) que ficam lateralmente nos opérculos, embaixo da cabeça, rasgando o tecido. A única maneira de tirá-lo é através de intervenção cirúrgica. Não é recomendado puxar o peixe. O ideal é tentar impedir que ele penetre mais no corpo e a solução é cortá-lo ou segurá-lo. Uma vez fora da água, o Candiru acaba morrendo. O testemunho do sertanista
Orlando Villas Boas é decisivo para comprovar o desespero que as vítimas do
Candiru passam ao serem “invadidas” pelo peixinho. Em l948, às margens do
Rio das Mortes, na base da expedição, farto de Candirus, Orlando e a equipe
da Expedição Roncador-Xingu estavam acampados na base quando ouviram um
homem de mais ou menos dois metros de altura gritando desesperadamente.
Motivo: um Candiru penetrou em seu pênis. “O homem havia ido até a região
para trabalhar na base e como não era da região, e sim da Bahia, não sabia o
perigo que era nadar nas águas do Rio das Mortes sem proteção”. GRITOS DE DESESPERO A sorte dele foi a presença no acampamento de um médico carioca que lhe retirou o peixe da uretra com uma pinça muito fina. Orlando Villas Boas ajudou na operação. “Lembro que o doutor era plantonista em pronto-socorro no rio de Janeiro. Não tinha paciência com nada: ao acabar a operação, xingou o homem. Porém, aconselhou que ele utilizasse linha e vara na próxima vez que quisesse pescar”, conta. Dois anos depois de haver
presenciado o desespero do baiano no Xingu, a expedição encontra-se no Rio
Araguaia (depois que a expedição, o local se transformou na cidade de
Xavantina) quando todos ouviram novamente os mesmos gritos de desespero. “A
vítima agora era uma mulher que lavava roupas no rio, distraída, quando um
Candiru entrou em sua vagina”, relata. Só que desta vez não havia médicos no
local e as mulheres cooperaram para que o peixe pudesse ser extraído. “Não
pude ajudar por ser homem, mas elas foram rápidas e salvaram a mulher, pois
o Candiru come as víceras da vítima.” Durante os 45 anos em que Villas Boas esteve na região do Xingu e Araguaia nunca presenciou um ataque de Candirus contra indígenas. Segundo ele, os índios jamais são atacados, pois nenhum índio faz necessidades na água. “O nativo respeita a natureza, já que depende dela para se sustentar e sabe também quais são os riscos que ela pode oferecer se não for cauteloso” explica. Ao se banharem no rio, sabendo do transtorno que os Candirus podem causar, os indígenas sempre usam tangas, tanto homens como mulheres.
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